A Narradora
- Juliana
- Estudante de Biologia, escritora e desenhista meia-boca nas horas vagas. Odeio cebola, acordar cedo e ficar muito tempo sem ter o que fazer. Na maioria das vezes sou quieta demais e prefiro continuar desse jeito. E sim, meu cérebro às vezes tem lag, problemas com interpretações múltiplas, vontade própria e está atualmente seriamente comprometido por um certo homem de covinhas.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008
Pensamentos Repentinos (10) - Custe o que custar
Escrito por
Juliana |
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Nesse momento eu deveria estar em casa, reclusa em meus aposentos, com a cara enfiada nos xerox do caderno de genética das pessoas da minha sala e torcendo para que algum milagre acontecesse e eu, de alguma forma, absorvesse a matéria.
Deveria.
Mas aí eu me empolguei momentaneamente com uma conversa que estava tendo com a minha amiga e vim parar na frente de um computador. Então ela resolveu me mostrar o blog dos meninos do CQC. Pra quê. Deu vontade de escrever.
Sei lá, eu assisto o programa religiosamente toda segunda e, de verdade, eu me impressiono com a capacidade de raciocínio deles. Os caras são bons. Outro dia eu tava pensando em como seria entrevistar alguém e pensar em tudo aquilo que eles falam, todas as tiradas, todas as indiretas. E ainda fazer isso ficar engraçado, mas sem perder o tom de crítica quando precisa. Genial. E se você duvida, tente fazer isso em casa com tesoura sem ponta e a supervisão de um adulto.
Depois disso, comecei a ler o blog das criaturas que me mantém acordada na frente da TV até a meia noite na segunda-feira. Um comentário: Uou. Vê-los nas entrevistas é uma coisa, ler o que eles escrevem é outra. E se eles já são bons no CQC, escrevendo é pra deixar de boca aberta.
Devo lembrar aqui que o Luque não é muito de escrever, por isso o blog dele é bem sucinto. Sem embromation, vai direto ao ponto. Só que aí entra a capacidade brilhante dele de criar um monte de personagens cômicos e críticos, cada um de um jeito diferente, com sotaques diferentes e histórias próprias. Assistindo você quase acredita que são de verdade. Eu já tentei brincar de fazer personagens e não deu certo. É uma arte muito mais complexa do que parece, acredite. Por isso o que ele não escreve, ele mostra no palco.
Vendo o programa e lendo o que eles escrevem (ou encenam) eu paro pra pensar em como tem pessoas que são, digamos, pluripotentes. Elas fazem muitas coisas e são boas nisso. E fazem nós, meros mortais sem super poderes, ficarmos de boca aberta. E sabe o que é o mais legal disso? A gente gosta (vide “De sangue”).
Pronto, parei de puxar o saco.
Antes de terminar, só alguns comentários sobre as pessoas aqui citadas:
Marcelo Tas, o cara que nos acompanha desde os tempos de Rá-Tim-Bum.
Rafinha Bastos, o homem grande do CQC. Faz stand-up muito bem. Racho assistindo. Duvida? Youtube nele. Aliás, ele tá em Jundiaí hoje e onde eu estou? Em Campinas me preparando pro nabo mor do semestre amanhã. Tudo bem, passa.
Oscar Filho, o pequeno pônei que eu só reparei recentemente que parece com meu ex-namorado. O que isso tem a ver? Nada, desculpa. Ele também faz stand-up, é muito bom. Aprovado pelo Youtube. Não recomendados para menores de 3 anos por conter peças pequenas que podem ser engolidas. (tá, acabou a piadinha sem graça).
Rafael Cortez, o ser xavequeiro da voz sexy e carinha de bebê. Esse não faz stand-up, mas escreve muito bem. Dá vontade de levar pra casa.
Felipe Andreoli, o cara que não é o guitarrista do Angra. O crespo caçula do CQC, aquele que vai pra terras longínquas, ex- pé frio da seleção brasileira. O menino tem um blog e sete segundos depois dele mandar um post, já existem 138796 comentários (número não verídico, só pra constar). Uma gracinha, uma coisa. Vontade de levar pra casa, pra praia, pra piscina, ou pro local de sua preferência.
Danilo Gentili, o capeta em forma de guri. Nas entrevistas ele parece meio lento, fala de vagarinho, mas dá pra ver o cérebro dele fritando. Sei lá, se pá, ele pensa mais rápido do que consegue falar. Ou é tipo mesmo. Não importa. De qualquer forma, eu entendo ele. Além de entrevistar pessoas no CQC ele escreve MUITO (ressaltando o MUITO) e desenha que pelamordedeus. Pra quem assiste o programa é praticamente uma obrigação ler o blog do criatura. Virei fã, de verdade.
Marco Luque, o cachorro crespo de voz grossa que caiu do caminhão de mudança, a malícia em forma de inocência. O mais fofo de todos. No CQC ele é o mais perdido, mas por trás da carinha inocente e da lerdeza aparente, o cara é o cara. Digite “Marco Luque Terça Insana” no deus YouTube e você vai entender o que eu quero dizer. Atualmente ele á o papel de parede do meu computador e do meu celular. E se pessoa contasse como sonho de consumo... pronto, parei.
É isso aí, people.
Desculpa pelos comentários femininos para os meninos que lêem o blog, (meninos = Leandro e Fenômeno), mas foi inevitável.
Beijomeliga =***
ps: Eles estão a solta, mas nós estamos correndo atrás. Segunda Insana. Breve no blog mais próximo de você nesse momento.
Já que eu fiz propaganda, os blogs dos meninos:
Felipe Andreoli: http://felipeandreoliblog.blog.uol.com.br/
Marcelo Tas: http://marcelotas.blog.uol.com.br/
Marco Luque: http://marcoluque.wordpress.com/
Rafinha Bastos: http://www.rafinhabastos.com.br/
Danilo Gentili: http://www.danilogentili.com/
Oscar Filho: http://www.oscarfilho.com.br/standup/
Rafael Cortez: http://rafael.cortez.zip.net/
Enjoy it.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Mandamentos Extras (3)
Escrito por
Juliana |
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Apêndice do 11º:
Não tentarás MESMO entender as pessoas.
Não tentarás MESMO entender as pessoas.
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Pensamentos Repentinos (9) - De sangue
Escrito por
Juliana |
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Outro dia lá estava eu no meu treino de basquete, feliz, alegre e saltitante quando o treinador passou a bola delicadamente para mim e, com algum movimento que eu juro que não sei como fiz, eu me auto-cortei. Com a própria unha. E foi um senhor corte. Praticamente tirei um bife do meu dedo. Mas chega de detalhes.
A questão é que ele começou a sangrar. Até aí tudo bem, eu abstraí o fato e continuei jogando. Então de noite eu fiz o caminho que eu sempre (há umas 2 semanas) faço pra ir pra casa, fui conversando com uma amiga no referido caminho sobre os dois meninos crespos do CQC e rimos um monte. Deixei ela no ponto de ônibus também como eu sempre faço (dessa vez o sempre quer dizer um tempo consideravelmente maior) e retomei meu caminho, mas dessa vez sozinha. Foi no meio do caminho que o corte do meu dedo começou a doer. Aí eu olhei pra ele, ainda tava sangrando. Vermelho-vivo.
Então de repente eu comecei a pensar no fato de que, no fim das contas, todo mundo é igual. Se eu me machuco, eu sangro. Se eu furar por exemplo... sei lá, qualquer pessoa muito foda, por mais fodástica que ela seja, ela vai sangrar, que nem eu. Ela também não enxerga direito no escuro, também sente fome. Também sorri, também chora.
Por um momento aquilo me reconfortou. Eu não era assim tão diferente dos outros, afinal. Mas de repente o reconforto se transformou em dúvida, em questionamento. Se todo mundo é igual, por que tem tanta discriminação, preconceito, exclusão do coleguinha só porque ele é meio tímido, esquisitão, ou sei lá o quê?
Daí eu também comecei a pensar em o que torna uma pessoa melhor ou pior que outra se elas são feitas basicamente das mesmas coisas. Deixando de lado as questões genéticas do assunto, são as próprias pessoas que fazem umas as outras melhor ou pior, julgando aquilo que elas acham que é certo ou errado, bom ou ruim. Um dia alguém que sabia brincar com uma bola inventou o futebol simplesmente porque ele era bom chutando ela entre dois pauzinhos. Aí as pessoas acharam isso fantástico e resolveram brincar também. As pessoas sem coordenação motora acharam que saber jogar aquele negócio estranho era uma coisa boa e resolveram que aqueles que conseguiam chutar a bola entre dois pauzinhos de uma maneira satisfatória eram especiais. Um dia alguém viu que não conseguia chutar a bola entre dois pauzinhos, mas era realmente bom em arremessá-la com as mãos. Aí ela inventou o handebol e se tornou especial. E deve ter sido assim com tudo, simplesmente porque deve ser da natureza humana querer ser especial e querer achar que outras pessoas são especiais só porque elas sabem fazer alguma coisa melhor (ou às vezes muito melhor) que as outras.
É, eu sei, viajei na batatinha. Mas eu nem ligo, sempre faço isso. E eu nem sei qual é a moral da história. Talvez: Se você quer ser especial invente alguma coisa em que você seja realmente bom ou se mate tentando ser bom em alguma coisa que já inventaram por você.
Ou: As pessoas deveriam se machucar mais freqüentemente pra perceber que por trás de uma habilidade ou outra (ou falta dela), de um rostinho bonito (ou falta dele), ou qualquer outra coisa do tipo, todos nós somos essencialmente iguais. Todos nós sangramos.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Cola do Coleguinha (1) - Quando vai ser a próxima corrida?
Escrito por
Juliana |
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Dedico esse texto ao meu primo Leandro.
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Lourenço Diaféria
Você venceu!
Você chegou onde queria.
Se lembra quando lhe disseram que a parada iria ser dura?
Muitos nem tentaram.
Muitos desistiram.
Muitos desanimaram.
Muitos falaram que não valia a pena.
Mas você chegou onde queria.
Foi difícil, a pista estava escorregadia.
Quantas pedras no meio do caminho.
Não eram todos que aplaudiam.
Alguns o olhavam com olhar de descrença, diziam: - Coitado, é um sonhador.
Bolhas nos pés, tênis apertado, o suor escorrendo pelo rosto, a ladeira íngreme, e o dramático instante da dúvida: paro ou continuo?
Uma decisão apenas sua.
Alguns estavam caídos de cansaço e tédio.
Havia ainda um longo caminho pela frente,e havia mais curvas do que retas.
Alguém o animou - Força, cara.
Alguém o provocou - E agora, cara?
Alguém tripudiou - Larga disso, cara.
Lembra?, você teve uma baita vontade de ir embora, de pegar suas coisas e dizer - Tchau mesmo, quero que tudo se lixe, pra mim chega, já dei minha cota, não tem mais jeito - e virar as costas à luta, à incompreensão, ao sacrifício.
Você teve vontade de ir para uma ilha deserta onde vertessem leite e mel.
Você olhou em frente. O horizonte era uma sombra parda.
Mas mesmo nessa hora tensa, pelo sim pelo não, você não parou de correr.
Talvez tenha diminuído o tamanho do passo, porque ninguém é de pedra e o coração da gente não pode ser medido com trena e compasso.
Mas você não parou porque sabia que no meio da multidão havia um recado mudo aguardando a sua decisão.
De sua decisão dependia a esperança de gente que você nem conhecia.
Então você tomou um fôlego, abriu o peito, e com os pés no chão e os olhos lá na frente, mandou ver.
Não importava tanto a colocação.
Você lutava para construir a sua parte no edifício do destino.
E foi seguindo.
Sem perceber, arrastou com seu exemplo muitos que pensavam em ficar no meio do caminho.
E você venceu.
Você chegou onde queria.
Ou você não venceu.
Você não chegou onde queria.
As coisas não deram certo, você tropeçou, havia um buraco, e outro buraco, e mais um buraco no chão feito de armadilha.
Você caiu, rolou, ah, houve gente que riu!
Alguém vaiou.
Você não venceu.
Você não chegou onde queria.
Esfolou a pele, abriu ferida, em vez de estrelas o cobriu um manto cravejado de ridículo.
O suor de seu rosto foi em vão.
Em vão seus músculos latejaram.
Tudo em vão.
Apanhe seu embornal de mágoa, fique de mal com o mundo, abandone a pista.
Você teve a tentação.
Mas na multidão alguém esperava seu gesto de conquista.
Vamos, rapaz, esfregue a perna. Levante os ombros.
Não deixe que se apague o brilho dos seus olhos.
Escute o bater abafado do coração que insiste.
Você está vivo, e não está vivo à toa.
Você se levantou, se lembra?, e a vaia lhe soou como sinfonia.
Recomeçou a corrida e quando, por fim, você chegou - não em primeiro, como sonhava - mas chegou, o suor de seu rosto parecia purpurina.
Todos pensavam que você estivesse satisfeito por haver chegado.
Então você recolheu os retalhos de suas forças e perguntou:
- Quando é que vamos disputar a próxima corrida?
E foi neste momento que você venceu e chegou onde queria.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Pensamentos Repentinos (8) - A Arte de Sorrir
Escrito por
Juliana |
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Sabe, às vezes eu acho que eu tenho todos os motivos do mundo pra sair chutando tudo, enfiar a cabeça num saco de papel e chorar desesperadamente. Eu sempre reclamo que nada dá certo, que ninguém gosta de mim, que eu sou incompetente, inútil e bla bla blá. Pra falar a verdade, nos últimos dias eu andei pensando bastante nisso e cheguei à conclusão de que (tá, admito) eu faço tempestade em copo d'água.
Sim, às vezes as coisas realmente são ruins, mas graças a algum mecanismo que eu não sei qual é, meu cerebro me faz o favor de apagar as lembranças dessas coisas e tudo que sobra são flashes. Flashes que eu nem lembro direito. Flashes que parecem sonho. E quer saber? Melhor assim. Uma coisa a menos pra eu me preocupar.
Daí eu achei que seria melhor eu parar com isso, desencanar das coisas e curtir mais a viagem. Quer dizer, ao invés de ficar reclamando, chorando ou perdendo meu tempo pensando demais em coisas que não merecem que eu o perca, eu vou relaxar.
Porque olha só, eu estudo na melhor universidade do país, amo o curso que eu faço, tenho alguns poucos amigos que eu não troco por absolutamente nada, tenho a família mais sem-noção do universo, dois braços, duas pernas, nariz, boca, olhos, ouvidos, todos os órgãos internos no lugar e até onde eu sei, eles funcionam razoavelmente bem. Reclamar pra quê, não é verdade?
Sei lá, acho que de repente eu percebi que tudo fica mais leve e mais fácil quando a gente pinta um sorriso no rosto. Quando a gente decide que vai ser feliz independentemente de qualquer coisa. Quando a gente pára de planejar tudo e entende que a vida é arte de improvisar, sem decorar falas ou roteiros e que temos que nos divertir com isso, porque, afinal de contas, ela é uma só, né. E lógico, nem sempre tudo dá certo, mas ao contrário do que algumas pessoas dizem, dá sim pra tirar alguma coisa positiva disso tudo, é só pensar direitinho.
E claro, sempre manter o sorriso no rosto.
É isso aí...
Beijomeliga ;*
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