
É, eu sei que acabei de plagiar a Globo. Mas eu nem ligo. Pus-me a sentar no frente do computador aqui na casa da minha vó, em São Paulo – acho que sou a única pessoa que sai do interior e vai pra capital nas férias, mas isso é detalhe – e resolvi parar pra refletir sobre o que foi 2008.
Parando pra avaliar friamente, o ano em geral foi ruim. Sabe, foram muitas derrotas em uma guerra que eu sei que não acaba nunca. Ou melhor, acaba. E quando ela acaba é que a gente se dá conta de como nada é pra sempre, de como com um sopro nossa vida pode ser tirada. Assim, de repente, sem aviso prévio.
Perder o meu tio foi de longe a pior coisa que me aconteceu esse ano. Eu nunca tinha sentido nada remotamente parecido: De repente o chão some dos seus pés, um vazio surge no seu estômago, tudo à sua volta parece não fazer a menor diferença. O mundo desaba ao seu lado e sobre você.
Acho que só quem já passou por isso sabe como é.
E perto disso, todas as outras derrotas que aconteceram perdem todo o sentido. São coisas que se supera em dias, horas. Meu coração sofreu bastante, é verdade. Apanhou, foi pisado, machucado, rejeitado: não uma, mas três vezes. Mas de alguma forma – e eu sei que vai parecer clichê – ele ficou mais forte. Agüentou o baque firme, de pé. E por algum motivo me fez perceber que a vida foi feita pra gente ser feliz, que é uma questão de escolha.
E realmente tiveram muitos momentos felizes. Conheci dois grandes amigos, Raabe e Danilo (ou Habib e Fenômeno, em unicampês), com os quais dei muita risada, matei muita aula, e chorei bastante também. Eles me ajudaram muito, deram força, me ensinaram que a gente não deve desistir e que nada é assim tão fim do mundo quanto parece.
Entrei pro time de basquete e descobri que não sou tão ruim assim quanto achei que fosse. Mudei de casa em Campinas, com um quarto só meu e pessoas que não ignoram a minha existência.
Descobri o mundo da comédia e do improviso com eles: o CQC é lei na minha televisão e o Improvável no meu computador. Descobri – e eu não podia esquecer - o Marco Luque e por mais que pareça platonismo, ver o sorriso dele na TV ou no computador, rir das coisas que ele faz e fala me faz levantar a cabeça e sorrir. E talvez, na retinha final do ano, foi o sorriso que me fez ver o quanto nós é que acordamos de manhã e decidimos ser feliz. Que é uma escolha nossa e ninguém pode mudar isso se realmente decidirmos que sim. Que a arte de improvisar cada movimento, cada fala, sem planejar tudo meticulosamente é que faz as coisas terem graça, que difere uma vida de uma existência.
Quanto a 2009? Decidi que vou fazer dele um dos melhores anos da minha vida. Como? Improvisando, sempre.
Que todo mundo possa fazer de 2009 um show do Improvável: Deixe que escolham um lugar, bole a situação, troque as falas se precisar, transforme as cenas, questione sempre que puder, diga coisas sem sentido de vez em quando, e sorria. Sorria e se divirta a cada segundo. Porque nunca se sabe quando o mestre de cerimônias vai apertar a campainha e fechar as cortinas, restando a você apenas os aplausos.
Beijomeliga
Juliana