A Narradora
- Juliana
- Estudante de Biologia, escritora e desenhista meia-boca nas horas vagas. Odeio cebola, acordar cedo e ficar muito tempo sem ter o que fazer. Na maioria das vezes sou quieta demais e prefiro continuar desse jeito. E sim, meu cérebro às vezes tem lag, problemas com interpretações múltiplas, vontade própria e está atualmente seriamente comprometido por um certo homem de covinhas.
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Pensamentos Repentinos (14) - Retrospectiva 2008

Parando pra avaliar friamente, o ano em geral foi ruim. Sabe, foram muitas derrotas em uma guerra que eu sei que não acaba nunca. Ou melhor, acaba. E quando ela acaba é que a gente se dá conta de como nada é pra sempre, de como com um sopro nossa vida pode ser tirada. Assim, de repente, sem aviso prévio.
Perder o meu tio foi de longe a pior coisa que me aconteceu esse ano. Eu nunca tinha sentido nada remotamente parecido: De repente o chão some dos seus pés, um vazio surge no seu estômago, tudo à sua volta parece não fazer a menor diferença. O mundo desaba ao seu lado e sobre você.
Acho que só quem já passou por isso sabe como é.
E perto disso, todas as outras derrotas que aconteceram perdem todo o sentido. São coisas que se supera em dias, horas. Meu coração sofreu bastante, é verdade. Apanhou, foi pisado, machucado, rejeitado: não uma, mas três vezes. Mas de alguma forma – e eu sei que vai parecer clichê – ele ficou mais forte. Agüentou o baque firme, de pé. E por algum motivo me fez perceber que a vida foi feita pra gente ser feliz, que é uma questão de escolha.
E realmente tiveram muitos momentos felizes. Conheci dois grandes amigos, Raabe e Danilo (ou Habib e Fenômeno, em unicampês), com os quais dei muita risada, matei muita aula, e chorei bastante também. Eles me ajudaram muito, deram força, me ensinaram que a gente não deve desistir e que nada é assim tão fim do mundo quanto parece.
Entrei pro time de basquete e descobri que não sou tão ruim assim quanto achei que fosse. Mudei de casa em Campinas, com um quarto só meu e pessoas que não ignoram a minha existência.
Descobri o mundo da comédia e do improviso com eles: o CQC é lei na minha televisão e o Improvável no meu computador. Descobri – e eu não podia esquecer - o Marco Luque e por mais que pareça platonismo, ver o sorriso dele na TV ou no computador, rir das coisas que ele faz e fala me faz levantar a cabeça e sorrir. E talvez, na retinha final do ano, foi o sorriso que me fez ver o quanto nós é que acordamos de manhã e decidimos ser feliz. Que é uma escolha nossa e ninguém pode mudar isso se realmente decidirmos que sim. Que a arte de improvisar cada movimento, cada fala, sem planejar tudo meticulosamente é que faz as coisas terem graça, que difere uma vida de uma existência.
Quanto a 2009? Decidi que vou fazer dele um dos melhores anos da minha vida. Como? Improvisando, sempre.
Que todo mundo possa fazer de 2009 um show do Improvável: Deixe que escolham um lugar, bole a situação, troque as falas se precisar, transforme as cenas, questione sempre que puder, diga coisas sem sentido de vez em quando, e sorria. Sorria e se divirta a cada segundo. Porque nunca se sabe quando o mestre de cerimônias vai apertar a campainha e fechar as cortinas, restando a você apenas os aplausos.
Beijomeliga
Juliana
Pensamentos Repentinos (13) - Sobre esperas

E é pior ainda quando você espera por alguma coisa e, aos 45 do segundo tempo, ela precisa ser adiada por motivos de força maior. Parece que toda a excitação que te consumia há segundos atrás desaparece, drenada de seus poros num piscar de olhos. Mas tudo bem, o que são três meses para quem já esperou quase dois?
Acho que só temos noção do quanto queremos alguma coisa quando a possibilidade concreta de consegui-la escapa por entre nossos dedos, como se repentinamente estivéssemos tentando aprisionar algo gasoso nas mãos.
E quando ela escapa, paramos para pensar em como vai ser esse longo - ou não - tempo de espera. Quantas coisas podem acontecer em um dia, uma semana, um mês. Quanto de um sentimento é capaz de desaparecer por esperar demais? Quanto um sentimento é capaz de crescer inchado pela esperança de finalmente conseguir aquilo que se quer? Acho que a resposta depende de cada um. Depende do quanto se alimenta um sentimento, de quanto se deixa de lado.
Eu? Forço-me a acreditar que a espera faz mais doce o sabor da conquista.
Pensamentos Repentinos (12) - O que faz você feliz?
É incrível como coisas simples deixam a gente pisando em nuvens por um bom tempo.
E então, o que faz você feliz?
Andar na praia, correr sem destino, tirar férias...?
Jogar pingue-pongue, dormir à tarde, expor suas idéias...?
Um abraço apertado, um beijinho do nariz?
E então, o que faz você feliz?
Andar descalço, brincar com o cachorro, assaltar a cozinha...?
Ver os amigos, assistir um filme ou receber e-mail do Rafinha..?
Tirar foto, ganhar o presente que você sempre quis?
Será que é isso que te faz feliz?
Passar no vestibular, ouvir música, jogar bola no asfalto...?
Ter um namorado, ver o pôr-do-Sol, ou ter um CR alto...?
Receber elogio, escapar por um triz...
Então é isso que é ser feliz?
Desenhar no papel, fazer uma festa, descobrir um truque...?
Andar de mãos dadas, pintar um quadro, ou conhecer o Marco Luque...?
Beber água da fonte, tomar banho num chafariz...
Talvez seja isso que te deixe feliz?
Ver um sorriso, ficar na chuva, achar um brinquedo antigo...?
Comer melancia, pular corda, ou rever um amigo?
Dançar no quarto, rabiscar com giz...
E então, o que é que faz você feliz?
Bom, agora eu vou sair pra dar uma volta. É sempre bom manter o nível de serotonina.
Beijomeliga ;*
Pensamentos Repentinos (11) - Saudades

Agora pouco falei com uma amiga de muito tempo no msn. Ela contou que quando tava arrumando o quarto encontrou várias coisas que nós tínhamos feito na sexta, sétima série. Aí me bateu a saudade.
Sei lá, acho que foi uma das melhores épocas da minha vida e naquele tempo eu nem me dava conta disso. A gente podia brincar a vontade sem ser chamdo de criança, podia conversar com os meninos sem que eles te considerassem um menino também ou achassem que você estava a fim deles. Não estudava quase nada e sempre ia bem nas provas. Ria de tudo. Fazia clubinhos, senhas secretas, códigos pra escrever bilhetinho no meio da aula e as outras pessoas não entenderem o que tava escrito. Inventava codinomes pra todo mundo, tinha tempo pra ler livros do Pedro Bandeira.
Ia na casa uma da outra pra jogar video-game, mesmo que a intenção inicial fosse fazer trabalho. Não precisava se procupar com nada.
Acho que no fim das contas, a gente só se dá conta de como uma coisa é boa quando ela se vai. Quando o tempo passa, quando alguém vai embora.
E não devia ser assim. A gente devia aproveitar e perceber que o agora é o melhor momento das nossas vidas, sabe. E que é claro que vão acontecer coisas chatas, porque coisas chatas simplesmente acontecem com todo mundo a qualquer hora, em qualquer lugar, eieííííí í-í-í-ei eieieieiei.
Como diria um certo crespo, "o importante é ser feliz". Então bora correr pro abraço.
É, eu sei, foi aleaório. Acho que foi mais uma reflexão interna mesmo. Devaneios de uma mente que se empolga com quase tudo e nunca pára. Nem na hora de dormir, pra minha felicidade.
