A Narradora
- Juliana
- Estudante de Biologia, escritora e desenhista meia-boca nas horas vagas. Odeio cebola, acordar cedo e ficar muito tempo sem ter o que fazer. Na maioria das vezes sou quieta demais e prefiro continuar desse jeito. E sim, meu cérebro às vezes tem lag, problemas com interpretações múltiplas, vontade própria e está atualmente seriamente comprometido por um certo homem de covinhas.
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quinta-feira, 31 de julho de 2008
Trocando a caneta pelo lápis
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Juliana |
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Yep, eu fiquei milhões de anos sem escrever. Tá, exagero, foram só uns quinze dias. Mas ainda assim é bastante e eu tenho uma explicação pra isso. Primeiro, minha irmã convidou minha prima pra ficar aqui em casa uma semana e sendo assim, elas dominaram o computador... Tá, eu poderia ter escrito coisas nesse tempo, mas minhas mãos resolveram pegar o lápis ao invés da caneta, o que quer dizer que eu fiquei desenhando....
Não que ue tenha desenhado muita coisa, mas atá que as coisas que eu desenhei ficaram legais =)
Uma dessas coisas é o Ewan McGregor aí em cima, que pra quem não sabe é o cara que fez o Obi-Wan nas versões novas do Star Wars, e fez "Peixe Grande" também. Ele é bonitinho, é engraçado e tem um sotaque escocês muito fofo ^^
Quando a caneta for mais forte que o lápis eu escrevo de novo =D
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Pensamentos Repentinos (3) - Trocando uma idéia com Deus
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Acho que eu devia puxar Deus pelo braço, senta-lo numa cadeira bem confortável e dizer: Deus, senta aqui. Vamos bater um papinho? É o seguinte... posso saber qual é o tipo de brincadeira sem graça que o senhor resolveu que ia fazer comigo esse ano?
Porque ele parece realmente ter me escolhido a dedo, uma vez que ele está muito empenhado em fazer essa brincadeira, seja ela qual for.
Eu até imagino Deus muito entediado no céu no início do ano contando estrelas e pensando o que ele poderia fazer para que 2008 fosse um ano mais divertido. Aí ele teve a genial idéia de pegar o nome de todas as pessoas do mundo maiores de 18 anos (porque deve ser ilegal fazer essas coisas com menores de idade, e se não é, deveria ser), colocar em algum lugar grande o suficiente, tirar um nome de lá e colocar essa pessoa em diversas situações embaraçosas, divertidas – do ponto de vista dele – e constrangedoras, só pra ver como ela se saía e, de quebra, Deus ainda se divertiria assistindo.
Aí Deus jogou todos os papeizinhos com os nomes das pessoas pra cima (ou, sendo ele todo poderoso, deve ter feito alguma mágica para que os papeizinhos saíssem voando sozinhos) e pegou um. Um único papel contendo um único nome, dentre outras bilhões de possibilidades. E aí eu imagino-o pegando esse papelzinho e lendo em voz alta: Juliana Pâmela Giacobelli. “Hummm, interessante... vamos começar”.
E começou.
domingo, 13 de julho de 2008
Comentários Inúteis (1) - Hora de morfar
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Lá estava eu, domingo, hora do almoço, sentada na sala da casa da minha vó, quando começa a passar Power Rangers - Ninja- Sei-Lá-O-Quê. Tudo bem, já que eu estava lá mesmo, decidi assitir. Até porque meu priminho ia começar a se esguelar se eu ameaçasse pegar o controle.
Foi aí que começaram minhas indignações. Primeiro de tudo, tem dois japoneses. Como assim, tem dois japoneses no Power Rangers?? Tá, tudo bem que o título tem a palavra "Ninja", mas acho que um só já seria o suficiente. Tipo asism, japoneses e Power Rangers não combinam.
Tudo bem, esse é o tipo de susto que a gente supera. Aí do nada aparece uma ranger azul-turquesa! Onde já se viu ranger azul-turquesa? E o pior... a roupa dela era de cetim! Ou melhor, a roupa de todos eles era de cetim...o.O
Como se não fosse o bastante, me aparece UM ranger amarelo. Até aí não teria nada errado se não fosse o pequeno artigo MASCULINO antes das palavras "ranger amarelo". Um homem! Nããão! Rangers amarelos são, por definição, mulheres. Um absurdo.
História vai, história vem, e aparecem DOIS Rangers vermelhos. Isso NÃO existe! como assim dois?
Bom, a essa altura do campeonato eu tava quase desistindo de assistir o negócio quando a maior calúnia power rangerística acontece: O ranger AZUL (escuro, porque tem a azul-turquesa) é tipo o cara apelão da história! Ele roubou o reinado do Ranger Vermelho! É, aquele que quando todos os outros tavam morrendo de repente revivia, ganhava forças e salvava o mundo e os coleguinhas. Isso, é claro, quando o Ranger Branco não aparecia pra salvar o mundo e os coleguinhas, incluindo o coleguinha vermelho que já estava eturricado no chão.
Enfim, eu avisei que era um comentário inútil. Um comentário inútil de alguém que assitiu Power Rangers na década de 90 e que acha que fizeram caquinha com a série desde então. XP
Traços
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Juliana |
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É, eu estava há alguns dias sem escrever, mas foi porque repentinamente eu lembrei que gostava de desenhar. E fazia muito tempo que eu não me encontrava com meus lápis e borracha e decidi que ontem seria uma boa hora pra marcar esse encontro.
Lá estava eu, levando minha cachorra pra dar uma volta despreocupada pelo quarteirão do qual ela se acha dona, quando me lembrei que nessa sexta duas pessoas de que eu gosto muito estariam passando por uma situação não muito agradável e que eu deveria ter o bom senso de desejá-las boa sorte.
Na verdade, em especial pra uma delas.
Aí eu pensei que isso seria ótimo, mas falar "boa-sorte" em si não é a coisa mais original do mundo. Eis que me ocorreu a idéia do desenho. Tá, ótimo. Um desenho. Mas de quê?
Voltei pra casa e me larguei na cadeira do computador, como eu sempre faço. Dei um refresh na página do orkut como eu sempre faço. Liguei a música como eu sempre faço. Comecei a ver fotos, coisa que eu nem faço com tanta freqüência assim. E aí me deu vontade de desenhar essa pessoa pra quem eu queria desejar boa sorte. Não, não era a intenção desenhar a pessoa em si, era pra ser outra coisa, mas a vontade foi mais forte que eu.
Não que eu seja assim, uma artista nem nada - aliás, longe disso. Um pedaço de pano quadriculado tem mais noção que perspectiva do que eu - , mas quando essas vontades dão na gente é melhor não contestar e sair correndo buscar um pedaço de sulfite e um lápis antes que ela desista e te deixe com a carinha do seis (¬¬).
E foi o que eu fiz. Saí correndo, peguei uma folha e um lápis, sentei na cadeira do computador e comecei a olhar a foto. E eu acho que a gente só percebe a complexidade de cada detalhe de alguma coisa quando a gente tem de reproduzir essa coisa em algum lugar. E aí eu parei pra reparar.
O desenho da sobrancelha, o formato do óculos, aquela expressão do olhar... As linhas da boca, os fios do cabelo e da barba meio bagunçados, o corte da blusa. Até os contornos de dentro da orelha.
E por mais incrível que pareça, eu desenhei. Desenhei com relativa facilidade, talvez porque eu estivesse simplesmente desenhando mais com o coração do que com as mãos. Embora eu ache que isso nem importa muito pra ele.
Se eu vou mostrar o desenho pra ele algum dia? Acho que não sou eu quem tem de decidir...
terça-feira, 8 de julho de 2008
Poesia (2) - De um lápis
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Talvez eu devesse parar
Rasgar,
Apagar,
Aparar
Tudo aquilo do caderno.
Tirar as letras das linhas,
rabiscar as entrelinhas
de um vício que é eterno.
Fazer mudas as frases,
crases,
ases
e entraves
de um único palpite.
Esquecer sorrisos e gestos,
um dia estrofes e versos
modelados em grafite.
Em vão passo a borracha,
que borra,
racha,
e acha
aquilo que meu coração mente.
Você, ali, quase apagado...
Um verbo no passado
que insiste em ser presente.
Rasgar,
Apagar,
Aparar
Tudo aquilo do caderno.
Tirar as letras das linhas,
rabiscar as entrelinhas
de um vício que é eterno.
Fazer mudas as frases,
crases,
ases
e entraves
de um único palpite.
Esquecer sorrisos e gestos,
um dia estrofes e versos
modelados em grafite.
Em vão passo a borracha,
que borra,
racha,
e acha
aquilo que meu coração mente.
Você, ali, quase apagado...
Um verbo no passado
que insiste em ser presente.
Dois pontos, travessão (2)
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Juliana |
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Capítulo 1 - Pelas ruas de Liverpool - Parte 2
A vontade de seguir em frente, em linha reta, cruzou sua mente, mas foi impedido por um frio que lhe subiu a espinha. Contra todos seus extintos, virou-se e caminhou lentamente ao número 73 que pairava ao seu lado.
As mãos ossudas tocaram a porta três vezes, e os risos cessaram. Uma das sombras virou-se para a porta e prontificou-se a atendê-la. A incerteza tomou conta do peito daquele ser que se encontrava parado do lado de fora. As mãos suavam e o coração acelerava num ritmo alucinante naqueles segundos que se arrastavam pela eternidade.
A sombra aproximou-se da porta e destrancou-a. Seus olhos deram de cara com duas esmeraldas brutas e apagadas, e o instinto fez com que ele batesse a porta à sua frente.
- Por favor,... estou buscando apenas abrigo para esta noite. - a voz saía rouca do peito – ou então só... tudo bem, esquece...
Aquilo fora demais. A necessidade lhe obrigara a pedir ajuda, mas implorar por um pedaço de pão já seria passar de seus limites.
Resolveu então seguir seu caminho através da rua enevoada, fria e deserta. Raras vezes um carro cruzava sua vista, buzinava e xingava-o. Mesmo assim, continuava impassível, cabisbaixo, imperceptível.
Seu labirinto interior lançava flashes de sua vida em Dublin. O verde e o vermelho se misturando, formando uma escuridão sufocante, que o derrubava aos poucos... O sol que brilhava pelas grades da janela... A praia que o assistia contemplar a lua... Aquele sorriso que ele adorava observar... Uma voz que o chamava ao longe...
- Ei, amigo... Você está bem? O que houve?
Uma imagem começou a se formar defronte seus olhos, e quando as duas cabeças desfocadas à sua frente se juntaram em uma só ele percebeu que um rosto redondo o observava.
Levantou-se abruptamente e jogou-se com as costas contra a parede, tomando distância daquele que o acordara.
- Quem é você? – perguntou ainda atordoado e olhou à sua volta – Que lugar é esse? Quem são essas pessoas?
- Calma... – disseram s olhos negros que o fitavam segundos atrás, levantando cm as mãos suspensas no ar – Ninguém aqui vai te fazer nada...
Ignorando as palavras daquele velho homem, continuou olhando assustado à sua volta.
- Onde é que eu estou? – ele virou seu olhar gelado para o homem calvo que o encarava – Responde! – rugiu.
- Ei, moço, calma... isso aqui é um albergue... A polícia rodoviária te encontrou caído na rua, você estava congelando – o velho examinava-o de cima a baixo, como se esperasse que o homem fosse tirar uma faca do meio das roupas e atacá-lo a qualquer momento – você deve estar faminto... – sua cara redonda virou-se para trás – Elizabeth, traga uma xícara de leite quente para o rapaz.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Coração
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Coração é um pedacinho do tudo que se espreme dentro do peito da gente. Ele é assim, pequeno, mas dentro dele há uma espécie de distorção espaço-temporal que faz com que sempre caiba mais alguma coisa nele, por maior que essa coisa possa parecer.
Talvez também seja devido a essa distorção espaço-temporal que é tão difícil se tirar alguma coisa de dentro dele, afinal achar uma coisa só no meio do infinito não deve ser uma tarefa muito fácil. E acho que é por isso também que as pessoas freqüentemente desistem de tirar seja lá o que o que elas querem tirar de lá de dentro e deixam com que o tempo faça seu papel diluindo aquilo do que elas querem se livrar. Ou às vezes elas encontram outra coisa lá dentro do coração que estava escondidinha e quase nem fazia volume, mas de repente fica de um tamanho tão grande que todas as outras coisas parecem ínfimas perto dela.
Já outras pessoas nunca acham essa coisa escondidinha que está logo ali, dentro delas, e insistem em vão em procurá-la do lado de fora. Pelas ruas, em festas, dentro da geladeira, quem sabe. Mas nunca onde deviam, onde é só procurar com jeitinho, com calma; dentro desse pequeno infinito que chamamos de coração.
Dois pontos, travessão (1)
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Juliana |
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Capítulo 1 - Pelas ruas de Liverpool - Parte 1

A noite começava a cair lentamente e o ar tornava-se mais frio a cada segundo que passava. As largas calcadas da rua Albatroz eram varridas pelo vento que soprava levando as folhas amarelas que anunciavam a chegada do outono.
As luzes das casas começavam a ser acesas, e podia-se ver a fumaça branca que saía das chaminés e misturava-se com o céu já enegrecido. A rua estava deserta.
Ao longe, podia-se ouvir o barulho das corujas e os uivos dos lobos que contemplavam a lua cheia. No fim da rua, uma figura cabisbaixa caminhava vagarosamente, atravessando a densa névoa que pairava sobre a vizinhança.
A sombra seguia impassível num movimento contínuo, compassado, ritmado, e seus passos não eram ouvidos, apesar do silêncio que chegava a ser perturbador. Enquanto a criatura caminhava, as fracas luzes que vez ou outra ousavam cruzar seu caminho revelavam traços da aparência daquele ser.
Os longos cabelos da cor da noite eram levados pelo vento, e contrastavam com o tom pálido da pele daquele homem. A barba cerrada escondia a cicatriz do rosto, e os olhos verdes não mais refletiam o interior daquele casca que um dia já fora cheio de vida e alegria.
A grossa capa acinzentada que o cobria já não era suficiente para protegê-lo da baixa temperatura daquela noite de fim de Dezembro, e vendo-se forçado a pedir abrigo às portas que pareciam assistir a cada passo seu, parou.
As idéias chegavam difusas ao cérebro já prejudicado pelo álcool. Tinha dificuldade em organizar seus pensamentos, sua cabeça era um emaranhado de memórias dispersas e distantes que o assombravam.
Hesitou por um momento. Os olhos frios fitaram as janelas ao seu lado. Risadas, gritos, sombras que giravam outras no ar e causavam estardalhaço... Por um décimo de segundo aquele rosto sem expressão deixou-se tomar por uma lembrança longínqua em Dublin e, mostrando parte dos dentes amarelados, tentou esboçar um sorriso.
Era possível ver as luzes das árvores de natal dentro das casas, que juntamente com as decorações externas denunciavam a festa que chegaria dentro de poucos dias.
Conflitava com seu cérebro, com seu corpo, com sua alma. As botas recusavam-se a movimentar aquela carcaça que congelava pouco a pouco e pedia por abrigo. Talvez apenas uma caneca de chocolate quente para esquentar aqueles olhos gelados, ou um pedaço de pão para aliviar o estômago castigado pela fome de vários dias de caminhada solitária pelas ruas de Liverpool.

A noite começava a cair lentamente e o ar tornava-se mais frio a cada segundo que passava. As largas calcadas da rua Albatroz eram varridas pelo vento que soprava levando as folhas amarelas que anunciavam a chegada do outono.
As luzes das casas começavam a ser acesas, e podia-se ver a fumaça branca que saía das chaminés e misturava-se com o céu já enegrecido. A rua estava deserta.
Ao longe, podia-se ouvir o barulho das corujas e os uivos dos lobos que contemplavam a lua cheia. No fim da rua, uma figura cabisbaixa caminhava vagarosamente, atravessando a densa névoa que pairava sobre a vizinhança.
A sombra seguia impassível num movimento contínuo, compassado, ritmado, e seus passos não eram ouvidos, apesar do silêncio que chegava a ser perturbador. Enquanto a criatura caminhava, as fracas luzes que vez ou outra ousavam cruzar seu caminho revelavam traços da aparência daquele ser.
Os longos cabelos da cor da noite eram levados pelo vento, e contrastavam com o tom pálido da pele daquele homem. A barba cerrada escondia a cicatriz do rosto, e os olhos verdes não mais refletiam o interior daquele casca que um dia já fora cheio de vida e alegria.
A grossa capa acinzentada que o cobria já não era suficiente para protegê-lo da baixa temperatura daquela noite de fim de Dezembro, e vendo-se forçado a pedir abrigo às portas que pareciam assistir a cada passo seu, parou.
As idéias chegavam difusas ao cérebro já prejudicado pelo álcool. Tinha dificuldade em organizar seus pensamentos, sua cabeça era um emaranhado de memórias dispersas e distantes que o assombravam.
Hesitou por um momento. Os olhos frios fitaram as janelas ao seu lado. Risadas, gritos, sombras que giravam outras no ar e causavam estardalhaço... Por um décimo de segundo aquele rosto sem expressão deixou-se tomar por uma lembrança longínqua em Dublin e, mostrando parte dos dentes amarelados, tentou esboçar um sorriso.
Era possível ver as luzes das árvores de natal dentro das casas, que juntamente com as decorações externas denunciavam a festa que chegaria dentro de poucos dias.
Conflitava com seu cérebro, com seu corpo, com sua alma. As botas recusavam-se a movimentar aquela carcaça que congelava pouco a pouco e pedia por abrigo. Talvez apenas uma caneca de chocolate quente para esquentar aqueles olhos gelados, ou um pedaço de pão para aliviar o estômago castigado pela fome de vários dias de caminhada solitária pelas ruas de Liverpool.
(Continua...)
Poesia (1) - Sem Título
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Juliana |
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Não, sem título não é o nome do poema, ele não tem um mesmo.


Meus pensamentos não param,
emergem, disparam,
nadam entre as ondas de um mar.
Índico, indicando, indicado
nas águas de um oceano agitado
onde eu deveria parar.
Brincando eles dançam na mente
Apenas, somente
lembrando exatamente o lugar.
Belo, singelo, espaço raro,
onde o pensamento fez-se disparo
apontando pra mim seu olhar.
emergem, disparam,
nadam entre as ondas de um mar.
Índico, indicando, indicado
nas águas de um oceano agitado
onde eu deveria parar.
Brincando eles dançam na mente
Apenas, somente
lembrando exatamente o lugar.
Belo, singelo, espaço raro,
onde o pensamento fez-se disparo
apontando pra mim seu olhar.
sábado, 5 de julho de 2008
Pensamentos Repentinos (2) - A GÊNESE DO DESENTENDIMENTO
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Juliana |
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Deus estava sentado em sua grande poltrona no céu pensando que não teria nada pra fazer por pelo menos o resto do infinito e resolveu que deveria se divertir um pouco, já que a eternidade, por assim dizer, não é um tempo muito confortável pra se ficar sem fazer nada. Daí ele tentou criar alguma coisa à sua imagem e semelhança, mas a único material disponível era o barro. Barros não se parecem muito com deuses, então ele preferiu chamar aquilo que ele tinha feito de homem. Aí ele jogou esse homem num lugar que ele chamou de paraíso. Só que ele resolveu que o homem tinha costelas demais e que uma de suas costelas daria um excelente homem anatomicamente diferente do primeiro, e só pra não se confundir, ele chamou essa costela de mulher. Um dia Deus estava distraído e o homem mordeu a maçã de sua macieira preferida, aquela que ele estava guardando pra comer de sobremesa no jantar. Aí Deus ficou bravo exigiu explicações minuciosas de tudo que tinha acontecido. O homem tentou explicar pacientemente por A mais B que a culpa toda era da mulher. A mulher então começou a se descabelar, gritar e chorar falando que em primeiro lugar Deus deveria ter freqüentado o Jardim de Infância pra aprender a brincar com massinha de modelar antes de sair fazendo com barro a primeira coisa que viesse na sua cabeça e dar vida a essa coisa. Surgia aí a TPM – Temperamento Provocado pela Mordida. Deus então percebeu que aquilo era muito mais divertido que ficar pintando estrelas, rabiscando cometas, modelando bichinhos estranhos e pondo-os para correr atrás do homem e da mulher, coçou sua grande barba como quem sabe o que está fazendo, apesar de não ter muita certeza disso, e decidiu que já que os dois não se entendiam mesmo, não chegavam a um consenso e aquilo tudo estava mantendo-o entretido por um tempo considerável, eles deveriam permanecer assim por, digamos, o resto da eternidade.
Pensamentos Repentinos (1) - O TEMPO
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O tempo foi uma invenção bem bolada de alguém que não tinha nada pra fazer e já estava se entediando com isso. Aí essa pessoa começou a contar. E contou por um tempo longo o suficiente para se sentir entediada de novo. Ou simplesmente porque sessenta era seu número preferido. E aí ela decidiu que cada bloquinho de sessenta números seria um minuto. E que cada bloquinho de sessenta minutos seria uma hora. Só que de tanto contar ela se cansou e decidiu que em um dia caberiam apenas vinte e quatro horas, com uns minutinhos de brinde pra não acharem que ela era mesquinha demais.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Coleções, burrices e o universo
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Juliana |
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É, chegaram as férias. E esse seria um momento especialmente feliz, já que eu esperava por isso há pelo menos uns dois meses, se eu não tivesse percebido o quão monótona é a falta total do que fazer. E aí quando eu não tenho nada pra fazer eu desembesto a ler, escrever, passar horas deteriorando meu cérebro na frente de um computador ou de uma tevê, pelo menos três vezes ao dia. Então eu resolvi que já que eu ia deteriorar meu cérebro, que fosse de uma forma útil, o que quer dizer que eu passei a ler ou escrever na frente do computador ou da tevê.
No momento eu devo estar passando por uma espécie de bloqueio de criatividade, lapso de memória, falta de imaginação, ou quaisquer outros tipos de defeitos cerebrais dessa categoria. Ou seja, o texto poderia acabar aqui sem o menor sentido e tudo estaria perfeitamente normal.
Sendo assim eu desisti de escrever dissertações, poesias, narrações, todo esse tipo de coisa e resolvi escrever sobre a minha vida mesmo e o que eu acho dela, apesar disso também ser uma coisa meio monótona às vezes.
Foi aí que então que eu parei pra refletir sobre esse semestre que passou e algumas coisas que aconteceram nele.
Já faz um tempo considerável que eu não venho tendo inícios de anos muito bons, e pra falar a verdade, esse ano não foi diferente. Tá, eu admito, talvez por motivos bobos, – ok, foram realmente motivos bobos – mas ainda assim contribuíram para um início de ano meio estranho. Sabe, gostar de alguém e falar tudo o que você pensa a respeito dessa pessoa não é a idéia mais inteligente do universo, mas na falta de uma melhor, foi isso que eu fiz. E não sendo ela a idéia mais inteligente do universo, obviamente não deu certo. Não que eu realmente achasse que ia dar, mas eu tenho mania mesmo de insistir em coisas que as pessoas me avisam incessantemente que simplesmente não vão funcionar.
Pois é, não deu certo. E aí eu fiquei triste. Mas tudo bem, as pessoas freqüentemente ficam tristes. E aí eu decidi que ia parar com essa história de gostar das pessoas porque ela simplesmente não estava me levando a lugar nenhum. O único problema é que eu acho que me esqueci de contar esse detalhe pro meu coração. Mas acho que mesmo que eu fizesse isso ele não ia me obedecer, corações são assim mesmo.
E quando eu praticava distraidamente a arte de me isolar do mundo me enfiando no obscuro labirinto do meu ser e me saindo relativamente bem nisso, eu vi uma coisa que mudaria o resto do meu semestre. Ou melhor, uma pessoa que mudaria o resto do meu semestre. De fato, talvez tivesse sido melhor que eu não a tivesse visto, mas acho que agora isso nem faz muita diferença.
Bom, resumindo a história, encurtando o meio, o que importa é que no fim não deu certo. Sim, de novo. Como quase sempre. Mas o que foi diferente dessa vez foi que pelo menos eu tomei uma atitude em relação a isso.
Sabe o que é pra uma pessoa que nunca se arriscou a fazer nada simplesmente por ter medo das possíveis conseqüências de seus atos mandar tudo às favas e ir até a casa da referida pessoa, assim do nada, e falar tudo o que pensa a respeito? (Tá, eu sei que algumas pessoas sabem – aliás, muito bem) É no mínimo impensável e desconfortável. Sensação de vulnerabilidade como se você estivesse sido posto na frente de um tanque de guerra de três metros de altura dentro de uma quadra de tênis e você não tivesse por onde fugir. Ok, exagero. Talvez dentro de um campo de futebol, o que não tira o desconforto da coisa.
Mas de qualquer forma foi isso o que eu fiz. E como eu já havia dito lá em cima, não deu certo. Foi aí que eu parei pra pensar em como as pessoas perdem por medo de jogar. E perdem por W.O. ainda, o que é muito mais feio. E claro, em como elas são complicadas demais.
É, complicadas demais. As pessoas reclamam que estão sozinhas, mas quando alguém surpreendentemente se prontifica a fazer companhia, elas recusam. Tudo bem, ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas acho que dar uma chance não custa nada. Aposto que muitas pessoas seriam infinitamente mais relaxadas e menos preocupadas com tudo se fizessem isso. Ou pelo menos, menos chatas.
Sabe aquela historinha de gostar de quem gosta da gente? Pois é, tem gente que não conhece. Ou finge que não conhece. Ou não entendeu. Ou finge que não entendeu. Ou gosta de sofrer aleatoriamente mesmo. Cada um com seus gostos.
De qualquer forma, acabei ganhando mais um não pra minha coleção particular, prometendo que vou parar com essa história de gostar das pessoas porque ela simplesmente não me leva a lugar nenhum e me surpreendendo com a burrice aparentemente inexplicável de algumas pessoas. Só pra finalizar: “O Universo conspira a seu favor até que ele se cansa da sua lerdeza e se revolta contra você”.
Pense nisso.
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